A escrever é que a gente se entende!

SE ME ENCONTRARES

Se me encontrares,
Escreve o meu nome por aí 
Sobre todos os telhados da cidade 
Que abrigam ninhos de andorinha 
E sobre as águas-furtadas de janelas abertas à claridade do rio, 
Onde o sol catita se senta a ouvir o alegre assobio de algum apaixonado que passa. 
Escreve o meu nome por aí, 
Ruas, ruelas, becos e pracetas,
Nas fontes rodeadas de turistas, no chafariz onde a concertina toca, 
Ou no jardim público onde descansas de amores e desamores. Gosto de ti. 
Escreve o meu nome por passeios antigos e esplanadas novas, 
De onde se avista a ponte imensa que namora as margens enevoadas; 
No elevador histórico, no castelo ou nas colinas, sete vezes as letras do meu nome, 
Como gaivotas, varinas, traineiras ou fado. 
Ou marcha popular que desfila em festa, quando o elétrico cruza os carris e o cheiro guloso da sardinha assada. 
Se me encontrares escreve (em letras maiúsculas, se quiseres) o meu nome por todo o lado,
Para eu saber que me encontraste deveras, e que me reconheceste para além do sonho ou da imaginação.
Por fim, enfim, chama-me Lisboa

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