A escrever é que a gente se entende!

A TODOS OS CÃES

Que nunca deixemos de lembrar, com respeito e amor, aqueles patudos cuja vida tem tanto - menos dignidade, cuidados e afecto genuíno.

Ao cair da manhã no jardim,

Retirada a trela, Esquece alegre a idade:

É cachorro outra vez!

Qual dono de tudo,

Atira-se à vida, saltitando feliz:

Persegue a sua velha bola,

O ramo atirado para longe,

A frágil borboleta esvoaçante,

A sombra da nuvem que passa!

Fareja amigos e rói brincadeiras!

E quando brilha de novo o sol,

Com força por entre o vento,

Lá vai ele de novo, língua de fora, Super-herói a salvar o mundo!

Corre louco, desenfreado,

Rosna, coração a mil,

Sem mapa, rumo ou destino:

Pelo ao vento, orelhas a abanar,

E no focinho reguila,

Um ar risonho, jovial!

Com um olhar brilhante de alegria,

A latir ferozes aventuras,

Voa doido sobre relvados,

Derrapa nas pedras da calçada,

Patas felpudas que esmagam trevos,

Malmequeres, túlipas.

E aves assustadas voam para longe!

Corre, pula,

Desaparece de vista,

E volta de novo, a arfar gargalhadas,

Ladrando traquinices!

Mas no silêncio da noite,

É todo ele um coração que se dá;

Sossega a doçura da idade deitado na sua almofada

Quieto, calado, despreocupado.

Rende-se às festinhas no pelo,

Enche os ternos olhos húmidos  de todo um amor sem fim,

E preenche ao humano a alma de certezas e risos!

 

1